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2006-10-01
Source: Fabio (Observatório das Favelas)

Renan da Costa Ribeiro - Nova Holanda

O dia da eleição na Maré (01/10/2006) não poderia ter sido pior. Como se não bastasse a farra eleitoral dos representantes da podridão, tivemos que enfrentar a estupidez, a truculência e a covardia da Policia Militar. Na principal rua da Nova Holanda, onde transitavam centenas de pessoas, dentre votantes, cabos eleitorais e crianças, a triste rotina comum à todas as favelas se repetiu: um viatura da policia virou a esquina, desconfiou de dois adolescentes em uma moto (ambos desarmados), atirou inconsequentemente e acertou Renan, uma criança de 3 anos que passava com a avó no local. O violento projetil de um fuzil não costuma deixar sobreviventes, e assim aconteceu. Renan não resistiu e morreu no hospital.

Dezenas de pessoas foram testemunhas de que sequer houve troca de tiros. Irresponsávelmente, a policia fez uso dos fuzis em uma rua abarrotada de gente e como sempre acontece os mais vulneráveis tornam-se vítimas. Foi inevitável então a revolta e a consequente manifestação que se deu inicialmente na porta do batalhão aqui instalado. Cerca de 300 pessoas pressionavam os policiais exigindo a identificação dos policiais, enquanto aguardavam a chegada da imprensa. Diversos lideres comunitários, junto com o companheiro Marcelo Freixo que prontamente se juntou a nós, lá estiveram para tentar organizar a manifestação, contendo a fúria daqueles que queriam apedrejar, e ao mesmo tempo pressionar o omisso comandante do batalhão. A tensão era grande, a imprensa registrava, alguns adolescentes iniciaram um apedrejamento em um soposto carro de um policial, e aconteceu mais uma cena de truculencia, despreparo e covardia da policia: os policiais (dentre eles vários oficiais) partiram para cima da multidão composta por homens, mulheres, crianças e idosos e lançaram bombas a esmo, além dos inexplicáveis tiros. Certamente o desfecho teria sido pior, não fosse a imprensa registrando tudo. Em seguida, não foi possível convencer um grupo decidido a fechar a av. Brasil, e aí a situação já estava fora de qualquer controle…

Pedimos aos companheiros da rede que ajudem-nos a divulgar e denunciar mais esta tragédia cometida pelo órgão repressor do Estado. É preciso que não deixemos isso passar novamente. É fundamental agora a articulação com as comissões de direitos humanos e a imprensa (apesar de todas as limitações de algumas).

Um abraço

Fabio (Observatório das Favelas)

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