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2006-02-11

Renato Jacques de Freitas Filho e Fabrício Rangel Kengen - Rio Sampa (Nova Iguaçu)

No dia 11/02/2006 o bancário e estudante Fabrício Rangel Kengen, 26 anos, e o estudante de direito Renato Jacques de Freitas Filho, 23 anos, começaram a ser perseguidos por assaltante de carro na Via Dutra, próximo à casa de shows Rio Sampa, em Nova Iguaçu, por volta das 5h.

Assustados, procuraram ajuda no DPO de Andrade Araújo, ali perto. Entretanto, o assaltante já havia se dirigido ao mesmo posto policial, onde se encontrara com parceiros fardados, o cabo PM César e o sargento PM Segundo. Os policiais negaram-se a registrar a ocorrência, espancaram Renato e Fabrício, os expulsaram do DPO, e os executaram a tiros logo depois, a 700 metros do posto.

Uma semana após o crime, no dia 19/02, uma manifestação em Queimados, onde residiam os dois jovens, organizada por familiares e amigos, reuniu cerca de 300 pessoas, que se concentraram desde às 9h na Praça Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Queimados, de onde saíram em caminhada, até a Praça dos Eucaliptos, onde fizeram um ato em repúdio à violência da polícia. Marizete Rangel, mãe de Fabrício, falando pelos familiares, falou diante das autoridades presentes: “Esperamos que estas mortes não venham a ser apenas mais um número na estatística da violência, mas um motivo para que se dê um basta à violência, para que outras mães não sofram como estamos sofrendo”.

Graças à rápida mobilização popular e à repercussão do caso, o inquérito foi rápido (caso muito raro em se tratando de crimes cometidos por policiais), o MP de Nova Iguaçu ofereceu denúncia logo acatada pela juíza da 4a Vara Criminal de N.I., e no dia 06/07/2006 foi emitido o mandado de prisão preventiva contra o assaltante Fabiano Rebello Viana, o cabo Antonio César da Silva Herguet Ferreira, e o sargento Nelson Gomes de Souza Segundo, que se encontram presos.

Os policiais já foram expulsos da PM, mas o processo criminal (número 2006.038.003483-0 na 4a Vara) encontra-se paralisado. Marizete, seu esposo, outros familiares e amigos continuam lutando por justiça e juntaram-se a movimentos como a AFAVIV (Associação de Familiares e Amigos das Vítimas de Violência, criada após a chacina da Baixada em 31/03/2005).

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