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2006-11-03

Bruno Ribeiro de Macedo - Jacarezinho

No dia 03/11/2006, o esposo de Dª Célia Ribeiro de Macedo, João Rodrigues de Macedo, 77 anos, começou a passar muito mal em sua casa, na Rua João Alberto no Jacarezinho, por volta das 13:30h. Célia, suas filhas Carla e Celina e seu filho Bruno Ribeiro de Macedo, passaram a socorrer o pai, levando-o para o andar de baixo do edifício e colocando-o na cadeira de rodas. Bruno pegou a sua moto (em nome de sua mãe, que usava no trabalho de entregar pizzas) para buscar um táxi fora da favela para levar o pai ao hospital Já na rua encontrou seu amigo, David Dias das Chagas, e pediu para ajudar-lhe.

Na moto, Bruno e Davi chegaram à saída da favela na Rua Viúva Cláudio (Jacaré) e acenaram para o primeiro táxi que passou. O motorista concordou em buscar o pai de Bruno, e David entrou no carro enquanto esperava Bruno estacionar a moto para vir junto com eles. Nesse momento, um policial militar, identificado como Lyra, apareceu apontando o fuzil para Bruno, que levantou os braços mas assim mesmo foi atingido por cinco tiros no peito e no pescoço. David percebeu nesse momento a presença de uma viatura policial, do qual saiu o soldado identificado como Dias e dirigiu-se para onde estava o rapaz baleado.

O PM Lyra, apontando a arma para David mandou-o sair do táxi e deitar no chão, mas o motorista
falou do que se tratava, que não era assalto nem nada. Provavelmente graças a isso, David não foi executado como seu amigo. Os dois PMs colocaram o corpo de Bruno na viatura e, acompanhados por David, foram ao Hospital Salgado Filho.

Enquanto isso, Célia e as filhas, preocupadas com a demora de Bruno, conseguiram que uma kombi levasse o Sr. João para o Salgado Filho. No caminho, Dª Célia lembra ter escutado tiros, que mais tarde imaginou terem sido os que mataram seu filho. No hospital os médicos não conseguiram salvar o Sr. João. A esta altura, nem Célia nem sua filha Celina que a acompanhava sabiam que, no mesmo hospital, chegava o corpo sem vida de Bruno O caso foi registrado na 25ª DP no mesmo dia 03/11, onde David e as irmãs de Bruno prestaram depoimento.

Até hoje, Dª Célia sofre e não se conforma de ter perdido esposo e filho no mesmo dia e praticamente na mesma hora, um pela violência e desrespeito policial, e outro, talvez, por ter o socorro demorado por culpa da mesma ação policial que matou Bruno. Como ela constata dolorosamente, pai e filho morreram sem saber um da morte do outro.

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