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2008-09-04

Policial condenado pelo homicídio de Hanry Silva Gomes de Siqueira, assassinado em 2002 no Complexo do Lins

O PM Marcos Alves da Silva foi condenado, no julgamento realizado na terça 02/09, no 3o Tribunal do Júri, pelo assassinato de Hanry , filho de Márcia Jacintho, que após a morte do filho tornou-se uma grande militante por justiça e contra a violência e o extermínio estatal contra os pobres.

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O júri, por maioria, acatou o pedido do Ministério Público em relação ao PM Marcos, de condenação por homicídio (simples) e fraude processual (devido ao uso, pelos policiais, do “kit bandido”, drogas e armas que são plantadas junto às vítimas para forjar os ditos “autos de resistência”). Entretanto, o mesmo júri, também por maioria, absolveu o outro réu (o PM Paulo Roberto Paschuini) da acusação de homicídio, condenando-o somente por fraude processual. Note-se que, durante todo o inquérito, processo, e na própria sessão de julgamento, o PM Paulo foi o único que admitiu ter efetuados disparos na suposta operação que resultou no assassinato de Hanry. O juiz Sidney Rosa da Silva fixou as penas em 9 anos de prisão (regime fechado) para o PM Marcos e em 3 anos e 2 meses de prisão (regime aberto) para o PM Paulo, e também concedeu-lhes o direito de recorrer em liberdade.

O policial Marcos Alves, entretanto, não ficará livre, pois no decorrer do processo descobriu-se que havia contra ele uma condenação de 4 anos de prisão por roubo a mão armada. Ele foi julgado e condenado em 1998, mas por razões inexplicáveis (que não se poderia “falar em público”, segundo as palavras do promotor) ele não cumpriu a pena tampouco foi afastado da PM. Também o policial Paulo Roberto responde a outro processo criminal por tentativa de homicídio, embora o tenha negado descaradamente durante o interrogatório do juiz. Apesar dos antecedentes e de terem sido acusados do assassinato de Hanry, os dois policiais não só se mantiveram na ativa na PM, como foram promovidos.

Como para que coroar tanta irregularidade, logo após o julgamento, e à vista de Márcia e de muitas pessoas que a acompanhavam, o policial Marcos Alves saiu a pé do Fórum, acompanhado por apenas um PM, e circulou pelas ruas escuras em torno do Tribunal de Justiça durante alguns minutos até que entrou numa viatura do 3o BPM (Méier, o batalhão em que atuam os dois policiais – ver as fotos a seguir). O 3o BPM não tem o Centro do Rio como área de atuação, portanto o lógico é que o condenado tivesse sido conduzido (desde o interior do TJ, não da rua) por uma viatura de um batalhão da área central, ou do batalhão prisional da PM.

Continuamos junto a Márcia, seus familiares e amigos, no acompanhamento do caso, lutando para que a justiça seja realmente feita e os culpados responsabilizados, não só os PMs que executaram o ato homicida em si, mas todos os responsáveis, governantes e comandantes, por agentes criminosos como eles terem tanta imunidade e força dentro da polícia.

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