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2013-06-08

Todo Apoio à Luta da Comunidade Indiana contra a Remoção!

A Rede contra a Violência tem acompanhado e apoiado, desde a luta do Canal do Anil e outras comunidades em 2007, a resistência das favelas do Rio de Janeiro contra a nova onda de remoções forçadas que tomou conta da cidade, repetindo as dolorosas experiências das épocas de Pereira Passos e da ditadura civil-militar (governos Lacerda, Negrão de Lima e Chagas Freitas). Temos visto como a prefeitura (César Maia e Eduardo Paes) usa de todos os métodos, incluindo chantagens, falsas alegações técnicas de “risco” e “proteção ao meio ambiente”, projetos não discutidos com a população, ameaças, etc; para retirar moradores pobres de áreas valorizadas pela especulação imobiliária (Zona Sul, Centro, Tijuca, Jacarepaguá), abrindo espaço para empreendimentos comerciais ou habitacionais para as classes média e alta.

A Indiana é mais uma vítima dessa política perversa. Inicialmente sob alegação de ser uma “área de alto risco” às inundações (pretexto que foi depois desmentido por documentos técnicos de órgãos oficiais), decretou-se a remoção total da comunidade, e começaram as manipulações e ameaças aos moradores. Como em outras comunidades, os funcionários da prefeitura utilizam vários métodos para dividir e enfraquecer a luta dos moradores, jogando uns contra os outros. Compram associações de moradores, inventam mentiras e jogam com a vontade de quem quer se mudar para tentar remover toda a comunidade. O poder público tem o dever de oferecer alternativas de moradia a quem, ESPONTÂNEAMENTE e por livre vontade queira se mudar, mas NUNCA pode obrigar alguma família a se mudar de sua casa a não ser por uma causa bem forte, provada e comprovada por laudos técnicos ou projetos exaustivamente debatidos com a população. E esse não é o caso da grande maioria da comunidade da Indiana.

Soubemos de pessoas que trabalham no governo estadual têm ajudado a semear a confusão e a divisão entre os moradores, dizendo-se militante dos direitos humanos e inclusive afirmando ser ligada ou próxima à Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência. Sobre isso temos a esclarecer o seguinte: há anos trabalhamos em parceria e aliança com o Movimento Moleque, que reúne familiares de jovens internos do Degase, e com eles lutamos pelo respeito aos direitos de nossos jovens e contra a redução da maioridade penal. Através do Moleque e da luta do Borel contra a violência policial, conhecemos Rute Sales, como companheira combativa, mas perdemos contato com ela desde que tornou-se funcionária da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) do governo estadual. Embora reconheçamos que existem muitas pessoas bem intencionadas nessa secretaria, em especial na Subsecretária de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos, não temos um trabalho de aliança com este órgão devido à política de segurança implementada por Beltrame e Sérgio Cabral, que continua estimulando violências e violações de direitos nas favelas. Esperamos que Rute honre seu passado de militante e lutadora e apóie a luta e os direitos dos moradores, ajudando a esclarecer e não a confundir as pessoas.

NÃO ÀS REMOÇÕES!
POR UMA CIDADE IGUALITÁRIA, ONDE OS DIREITOS DOS POBRES E DAS FAVELAS SEJAM RESPEITADOS!
POR INVESTIMENTOS PRIORITÁRIOS EM SANEAMENTO, URBANIZAÇÃO, EDUCAÇÃO, SAÚDE E MORADIA NAS PRÓPRIAS FAVELAS!
POR TARIFAS DE SERVIÇOS PÚBLICOS REALMENTE SOCIAIS E ACESSÍVEIS NAS FAVELAS, CONTRA A “REMOÇÃO BRANCA”!

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