Casos » 2008  


2008-12-16
Source: Fazendo Média

Matheus Rodrigues - Maré

Hoje (5/12) por volta das 10h, Matheus Rodrigues, de 8 anos, foi sepultado. Moradores e familiares inconformados levaram cartazes protestando o descaso, a falta de políticas públicas de segurança pública do Rio de Janeiro, outros vestiram a camisa do “Movimento Pela Vida Contra o Extermínio”.

Logo depois, já na comunidade da Maré, um grupo de pessoas em manifestação caminhou por algumas ruas, parando por alguns minutos em frente ao Posto Policial, 22° BPM.

Moradores não ouviram troca de tiros

Por volta das 8h do dia 4 de novembro, Matheus Rodrigues, de 8 anos, foi executado pela Polícia Militar, na Baixa do Sapateiro, Complexo da Maré. O menino morreu com um tiro no rosto. Familiares e testemunhas afirmam que não houve troca de tiros. Matheus saía de casa para comprar pão. Ele estava caído junto ao muro, sentado, com uma moeda na mão. Moradores revoltados não deixaram o corpo ser retirado do local pelo Corpo de Bombeiros. “Exigimos a presença de um perito”, gritavam.

O deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, Alessandro Molon, esteve no local. Ele afirmou que a Comissão prestará assessoria jurídica para a família. “Vamos acompanhar a investigação desse caso até o final. É inaceitável que isso aconteça”, lamentou. Molon informou que a Comissão de Direitos Humanos já está à disposição da família e que fará tudo o que estiver ao alcance para que os responsáveis sejam punidos.

Por volta das 10h, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli chegaram ao local. A família estava sem condições de dar entrevistas. A mãe e a avó do menino precisaram de atendimento médico. A comoção tomou conta dos moradores, que choravam a morte trágica da criança.

Revolta dos moradores

Um grupo de moradores gritava por justiça em frente ao Posto Policial Comunitário (PPC) da Baixa do Sapateiro. Um caveirão estava estacionado em frente ao posto. Inicialmente os policiais reagiram com tiros para cima. Depois, o major responsável pelo PPC ordenou que os policiais parassem de atirar. “Ninguém dispara, ninguém, joga bomba”, avisou. Moradores traziam faixas e cartazes exigindo justiça, chamando os policiais de assassinos e pedindo respeito com os moradores.

Um menino de 8 anos, estudante da Escola Municipal IV Centenário, localizada na Baixa do Sapateiro – ao lado do PPC –, estava assustado no meio da confusão. “A polícia só vem para matar crianças”, afirmou.

Por Silvana Sá e Gizele Martins – Jornal O Cidadão, Renajorp.

print