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1993-08-29

Chacina de Vigario Geral

Na madrugada do dia 29 de agosto de 1993, a favela de Vigário Geral, na zona norte do Rio, foi invadida por um grupo de aproximadamente cinqüenta homens encapuzados e fortemente armados, que arrombaram casas e executaram 21 moradores.

Todos as vítimas tinham endereço fixo e profissão e não possuíam nenhum envolvimento com o tráfico de drogas. A matança na comunidade foi motivada por vingança, em represália à morte de quatro PM’s, atribuído a traficantes daquela região, numa praça da mesma favela, conhecida como “Catolé do Rocha”, no dia anterior.

O grupo de policiais militares que realizou a chacina era conhecido dos moradores de Vigário Geral pelo modo que agia. Eles eram chamados de “Cavalos Corredores” porque entravam na favela correndo, atirando e aterrorizando a comunidade.

A chacina, a segunda maior do Estado, ocorreu durante o segundo governo de Leonel Brizola. Alguns meses após o crime, 13 policiais militares foram expulsos da corporação. Na ocasião, oficiais chegaram a recorrer aos meios de comunicação, acusando a existência de um complô contra a corporação e negando a responsabilidade policial quanto aos extermínios.

Desde então, apenas seis dos 52 PMs acusados formalmente pela chacina foram condenados (dois cumprem pena e quatro estão soltos por habeas-corpus). Cinco morreram e um deles permanece foragido. Os outros foram absolvidos por falta de provas.

A chacina ganhou repercussão internacional. Entidades de Direitos Humanos acusaram a polícia brasileira por massacres consecutivos, e o governo, de impotência. A Anistia Internacional assumiu a escuta dos relatos de parentes de vítimas e elaborou um relatório sobre o caso.

Atualmente, o bairro Vigário Geral contém, aproximadamente, 35 mil habitantes. E mesmo que a comunidade passe uma imagem de tranqüilidade, para os moradores, pouca coisa mudou.

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